Uma Questão de Liberdade
foto-yann

Sempre defendi uma tese muito cristalina e óbvia a respeito da liberdade. É de meu parecer, por exemplo, que deveria ser impossível pretender-se conquistar a liberdade pelo simples fato de que apenas se conquista algo que não se possui, e a liberdade é um bem nato a todo o ser humano; é uma dádiva natural que nasce conosco e perdura até mesmo após nosso desenlace. Infelizes aqueles que não podem usufruí-la, desgraçados aqueles que a roubam de seus súditos.

Se todo homem nasce livre, penso que a arte (por ser expressão personalíssima do ser humano) tem que gozar desta absoluta liberdade. Frente a isso, insurjo-me contra qualquer parâmetro tolhedor dessa expressão, como os extremos limitantes do suporte.

Se digo que a expressão na arte plástica deve ser livre, por conseguinte defendo a idéia de que não devemos contê-la no quadrilátero do suporte. Por tal razão, busco em minhas obras romper estas linhas; ou seja, fazer com que minha expressão plástica vá além do suporte, mergulhando no vazio da parede, quer seja na forma físico-palpável, quer seja na imaginação do espectador,  sempre na mais completa liberdade.

Buscando essa modalidade expressiva, deparei-me com a circunstância em que a obra deixou de se constituir em duas partes fundamentais, tais sejam, o suporte e a arte propriamente dita, pois confundiram-se os conceitos e o suporte passou a ser também arte, dado ao fato de ele também possuir expressividade.

Sendo assim, entendo que não devemos limitar as manifestações de nosso espírito. Devemos, sim, buscar novos conceitos adaptados à faixa evolutiva de nossa época, trilhando os anseios naturais que habitam em cada um de nós; deixando que nossa capacidade criativa descubra em seus recônditos esta dádiva máxima que a Natureza Divina concedeu: a LIBERDADE!

Por essa absoluta razão trabalho minhas obras na tridimensionalidade, já que a vida também não acontece num mesmo plano, chapada. Na busca desta identidade vida/arte-arte/vida busco materiais do tipo sucata leve para demonstrar que os mesmos, assim como nós, na verdade nunca morrem, posto que somos (os materiais e nós) energia pura que permanece eternamente como parte da natureza cósmica, mudando apenas de configuração no plano material. Assim, aqueles objetos que eram tidos como “mortos”, já que estavam jogados em sucatas, eu lhes dou outra dimensão de valores e mostro que na verdade eles estão vivos, muito vivos, a ponto de darem seus recados (mensagens) através de uma obra de arte.

Yann Ziegler